Quem (não) somos

Não somos uma doceria. Quer dizer, até somos, mas isso é só um meio para gente ser o sempre quis: uma marca que gera valor para as pessoas ao redor.

CALMA! Não é só um texto bonitinho cheio de firulas para cativar você aí, não. É real. Deixa eu explicar melhor.


Lá no comecinho de tudo, em 1998, a Delikata nem Delikata era. Algumas panelas extras na cozinha de casa, um freezer capenga e uma mesa daquelas com 6 cadeiras era tudo que tínhamos. Se havia uma festinha na família ou vizinhança, a gente tava lá fazendo os doces e salgados para ganhar um dinheirinho extra (mentira porque para família era de graça haha).


Uma encomenda aqui, outra ali e a coisa foi tomando forma. Tinha dona Rosângela botando a mão na massa, seu Rodrigo fazendo as entregas e os filhos ajudando de vez em quando só pela força do ódio enquanto os amiguinhos estavam todos brincando na rua. 


Ódio é uma palavra muito forte, né? Calma que o mundo vai dar muitas voltas. Continua lendo.


O negócio foi crescendo e logo deixou de ser um complemento de renda para ser o principal. Uma empresa dessas com CNPJ e tudo. Alugamos um galpão e aí sim abrimos a Delikata, em 2001.


Nessa época a gente nem sabia direito onde poderíamos chegar, era um terreno tão desconhecido. Desde o começo, porém,  já sabíamos o que não queríamos ser. 


Não queríamos ser uma empresa que coloca seus próprios interesses acima de tudo e de todxs. Que não reconhece a humanidade dos próprios colaboradores ou que acha que isso é bônus e não obrigação.


Não queríamos ser uma doceria que não ouve sua clientela, que não assume nem aprende com os erros, que tenta persuadir e não cativar.


Não queríamos ser uma marca que se esquiva de se posicionar contra machismo, racismo, lgbtfobia e qualquer outro preconceito dentro e fora do seu espaço para não perder clientes. 


Não queríamos ser proprietários de uma loja que não conhece nem respeita a sua essência, que pensa de um jeito e faz de outro, que deixa de agir por medo ou que age por covardia.


Hoje, dezoito anos depois, acho que podemos sentir um orgulhosinho de sermos uma marca que segue em frente a passos curtos sem soltar a mão de ninguém. Que se interessa no que pode fazer de melhor a cada oportunidade. Que ri de si mesma. Que leva a sério o que tem que ser levado. Que valoriza a experiência de consumo. E a de vida.


Nem tudo foi fácil, mas sobrevivemos. Temos uma fábrica, três lojas, uma personalidade própria, três sócios, mais de 50 funcionários e filhos que agora trabalham pela força do amor enquanto os amiguinhxs, clientes, parceirxs e colaboradorxs observam. Torcemos que com respeito pela trajetória e por tudo que não somos.


CLAYTON RODRIGUES
filho de Rodrigo e Rosangela e sócio de Adriano na Delikata.